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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Alma pater
Durante muitos anos acreditei piamente que afecto parental assim mesmo à séria é o que liga as mães aos filhos. São elas que os carregam durante nove meses, são elas que passam noites em branco, são elas que não cortam nunca o cordão que vai ligar a vida delas, ad aeternum, ao desse novo ser . Para mim, era assim que as peças encaixavam e nunca pensei muito no assunto. O processo de amadurecimento fez-me o favor de me trazer outra perspectiva. Uma nova perspectiva que me despertou a consciência para o valor do pai que tenho - e que, cada vez mais, considero o culpado pelo elevado nível de exigência que estabeleci para o sexo masculino - e para o valor de outros pais que vão além do que a sociedade lhes pede, cumprindo, contudo, o que o amor incondicional lhes impõe. E é um privilégio ver estas relações do lado de dentro e ficar de coração cheio por saber e sentir estas pessoas de alma maior perto de mim.
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
Amor mais que perfeito
Júlia e António. Protagonistas de um amor que se basta a si
próprio. Um amor que não sei como surgiu, que não sei se cresceu ou se, pura e
simplesmente, já nasceu infinito. Um amor que testemunhei desde
sempre mas do qual apenas tive consciência num tempo e num lugar onde pensei já
não haver terreno fértil para um sentimento que dizem tão frágil e delicado. Um
amor que resistiu ao tempo que tudo cura e que tudo leva. Um amor que
desconheceu os perigos que dizem pairar sobre todos os outros amores do mundo.
Um amor que viveu nas rotinas e na ausência delas. Um amor que não fugiu pela
janela quando a necessidade bateu à porta. Um amor que abraçou a chegada de
filhos e que chorou a partida deles. Um amor que apenas saiu da casa que o
acolheu quando os longos anos de vida dos corações que habita obrigaram a cuidados
redobrados. Um amor que resistiu à perda de memórias. Um amor que ficou quando
os rostos de filhos e netos já não despertam lembranças. Um amor que, quando já
todos são desconhecidos e nada mais importa, continua a dar significado aos
nomes Júlia e António e a justificar a vontade de continuarem a viver. Um para
o outro, ao longo e ao fim de tantos anos, apenas e só, um para o outro.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Os casmurros
Fazem-me confusão as pessoas demasiado territoriais. Refiro-me a pessoas desprovidas de flexibilidade, incapazes de se ajustarem minimamente ou por um instante que seja ao "outro". Eu sei que a permeabilidade em excesso, o não saber dizer "não" e a adaptação constante à vontade de terceiros não dá bom resultado, mas tenho cá para mim que ser casmurro também não. Convivo quase diariamente com o que poderia ser um "case study" de casmurrice. É inclusive uma pessoa por quem tenho um grande carinho e que sabe o que penso desse seu lado menos fácil. E diz que não muda por nada nem por ninguém. Que não tem que mudar, que é assim e que têm que a aceitar como é. Estivesse em questão a aceitação aparentemente tão desejada e eu não sentiria o meu "case study" de casmurrice tão insatisfeito com a vida nem o ouviria conjugar tantas vezes o verbo "irritar". Sim, porque se a questão é aceitar, eu aceito, mas estou a ficar cansada de escalar muralhas tão altas para tentar chegar ao outro lado do mau feitio.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Chove...
Nesta cidade que o Instituto Português de Meteorologia hoje abençoou com um alerta vermelho chove há, pelo menos, 24 horas consecutivas. O ruído constante das gotas de chuva no telhado entorpece-me a alma e retira sentido a um amanhecer que hoje me pareceu começar particularmente cedo. E em dias assim lembro-me sempre de Gabriel García Marquez e do conto "Monólogo de Isabel vendo chover sobre Macondo"...
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
No meu tempo eram rabanadas...
Bem me parecia que não era a única de quem o espírito natalício tinha partido sem deixar rasto. E já agora, o bolo-rei vai passar a ser o quê? Gateau em cama de casca de laranja cristalizada com redução de açúcar em pó e espuma de frutos secos?
Don't feel like Christmas
Não sei que entidade apática se apoderou de mim, só sei que este ano desenvolvi imunidade ao espírito natalício. No passado, o contágio dava-se lá por finais de Novembro e inícios de Dezembro. Este ano, nada. E atenção que não precisava de muito para me sentir uma pequena ajudante do Pai Natal. Os logótipos dos canais nacionais rodeados de estrelinhas cintilantes no cantinho da televisão eram coisa mais que suficiente para me deixar em modo "É Natal, é Natal, tralalalala...".
Este ano, nada. Olho para o calendário e percebo que tenho uma semana e meia até ao Natal, ou seja, uma semana e meia para deixar pronto um projecto que tem que sair até ao Natal nem que a rena tussa. Olho para o calendário e anseio pela semana de férias entre Natal e Ano Novo para conseguir respirar, colocar o descanso mental em dia e ir a umas quantas consultas de rotina sem ter que faltar ao trabalho.
Comprei os presentes para as minhas pessoas mais adoradas, voluntariei-me para assegurar a parte gastronómica do evento e dei o assunto "Natal 2012" por arquivado.
É certo que ainda não cheguei ao ponto Grinch de abater subsídios de Natal sem dó nem piedade nem de exterminar vacas e burros de presépios de todo o mundo mas a verdade é que já não vive em mim aquela força desconhecida que outrora, por esta altura, me fazia aguentar o Coro Infantil de Santo Amaro de Oeiras a
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
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