terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Amor mais que perfeito


Júlia e António. Protagonistas de um amor que se basta a si próprio. Um amor que não sei como surgiu, que não sei se cresceu ou se, pura e simplesmente, já nasceu infinito. Um amor que testemunhei desde sempre mas do qual apenas tive consciência num tempo e num lugar onde pensei já não haver terreno fértil para um sentimento que dizem tão frágil e delicado. Um amor que resistiu ao tempo que tudo cura e que tudo leva. Um amor que desconheceu os perigos que dizem pairar sobre todos os outros amores do mundo. Um amor que viveu nas rotinas e na ausência delas. Um amor que não fugiu pela janela quando a necessidade bateu à porta. Um amor que abraçou a chegada de filhos e que chorou a partida deles. Um amor que apenas saiu da casa que o acolheu quando os longos anos de vida dos corações que habita obrigaram a cuidados redobrados. Um amor que resistiu à perda de memórias. Um amor que ficou quando os rostos de filhos e netos já não despertam lembranças. Um amor que, quando já todos são desconhecidos e nada mais importa, continua a dar significado aos nomes Júlia e António e a justificar a vontade de continuarem a viver. Um para o outro, ao longo e ao fim de tantos anos, apenas e só, um para o outro.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Os casmurros

Fazem-me confusão as pessoas demasiado territoriais. Refiro-me a pessoas desprovidas de flexibilidade, incapazes de se ajustarem minimamente ou por um instante que seja ao "outro". Eu sei que a permeabilidade em excesso, o não saber dizer "não" e a adaptação constante à vontade de terceiros não dá bom resultado, mas tenho cá para mim que ser casmurro também não. Convivo quase diariamente com o que poderia ser um "case study" de casmurrice. É inclusive uma pessoa por quem tenho um grande carinho e que sabe o que penso desse seu lado menos fácil. E diz que não muda por nada nem por ninguém. Que não tem que mudar, que é assim e que têm que a aceitar como é. Estivesse em  questão a aceitação aparentemente tão desejada e eu não sentiria o meu "case study" de casmurrice tão insatisfeito com a vida nem o ouviria conjugar tantas vezes o verbo "irritar". Sim, porque se a questão é aceitar, eu aceito, mas estou a ficar cansada de escalar muralhas tão altas para tentar chegar ao outro lado do mau feitio.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Chove...


Nesta cidade que o Instituto Português de Meteorologia hoje abençoou com um alerta vermelho chove há, pelo menos, 24 horas consecutivas. O ruído constante das gotas de chuva no telhado entorpece-me a alma e retira sentido a um amanhecer que hoje me pareceu começar particularmente cedo. E em dias assim lembro-me sempre de Gabriel García Marquez e do conto "Monólogo de Isabel vendo chover sobre Macondo"...

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

No meu tempo eram rabanadas...


Bem me parecia que não era a única de quem o espírito natalício tinha partido sem deixar rasto. E já agora, o bolo-rei vai passar a ser o quê? Gateau em cama de casca de laranja cristalizada com redução de açúcar em pó e espuma de frutos secos?

Don't feel like Christmas


Não sei que entidade apática se apoderou de mim, só sei que este ano desenvolvi imunidade ao espírito natalício. No passado, o contágio dava-se lá por finais de Novembro e inícios de Dezembro. Este ano, nada. E atenção que não precisava de muito para me sentir uma pequena ajudante do Pai Natal. Os logótipos dos canais nacionais rodeados de estrelinhas cintilantes no cantinho da televisão eram coisa mais que suficiente para me deixar em modo "É Natal, é Natal, tralalalala...".
Este ano, nada. Olho para o calendário e percebo que tenho uma semana e meia até ao Natal, ou seja, uma semana e meia para deixar pronto um projecto que tem que sair até ao Natal nem que a rena tussa. Olho para o calendário e anseio pela semana de férias entre Natal e Ano Novo para conseguir respirar, colocar o descanso mental em dia e ir a umas quantas consultas de rotina sem ter que faltar ao trabalho.
Comprei os presentes para as minhas pessoas mais adoradas, voluntariei-me para assegurar  a parte gastronómica do evento e dei o assunto "Natal 2012" por arquivado.
É certo que ainda não cheguei ao ponto Grinch de abater subsídios de Natal sem dó nem piedade nem de exterminar vacas e burros de presépios de todo o mundo mas a verdade é que já não vive em mim aquela força desconhecida que outrora, por esta altura, me fazia aguentar o Coro Infantil de Santo Amaro de Oeiras a berrar-me cantar-me aos ouvidos "A Todos um Bom Natal" em cada esquina que passasse.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

SILLY MONDAYS

Às segundas à noite desligo os neurónios durante cerca de uma hora. Nobody's perfect...



AS INTERMITÊNCIAS DO TRABALHO

É precisamente assim que o meu trabalho está. Intermitente como as luzes da árvore de Natal que ainda não fiz. Sei que tenho duas semanas para dar à luz o projecto (este post está particularmente "iluminado"...) mas do supracitado, até ao momento, tenho apenas fragmentos. Onde é que está o problema? Na dependência de terceiros. Ou melhor na dependência das (in)decisões de terceiros. No «toca a avançar que já temos tudo fechado», no «afinal, espera lá que esse projecto já não vai acontecer», no «entrego-te isto amanhã sem falta» que na verdade é código para «com sorte, lá para a semana que vem tens uma terça parte do que me pediste».
E não me levem a mal porque eu juro que todos os dias dou graças por ter trabalho. Mas seria pedir muito que não fosse sempre este pára-arranca quando se trata de projectos a curto/médio prazo? É que este ritmo já dura há anos. Sempre intercalado, claro está, pelas minhas adoradas reuniões onde se fazem mil novos planos  para que para a próxima seja diferente...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

QUANDO OS ENJOOS SÃO NOTÍCIA


Estes últimos dias tenho-me recordado das razões que me levaram a não querer ser jornalista.
Os enjoos da Kate Middleton são notícia em todo o lado...«Com um casaco escuro e empunhando um ramo de rosas amarelas, a mulher do príncipe William sorriu para os jornalistas ao sair do hospital King Edward VII, acompanhada do marido», informa a TSF. Vou ali chorar a morte dos critérios noticiosos e já volto.

PPC 2012 - I'm in!!!!!

Este ano o meu Natal vai ter Polar Post Crossing!!!! Já me sinto pequena ajudante do Pai Natal em busca do postal perfeito para a querida quadripolar que me calhou em sorte.
Embora tenha consciência que muito provavelmente ainda escrevo apenas para as áridas paredes da solidão blogosférica, meus amigos (imaginários), a Pólo Norte é a maior! Este ano já era, mas quem sabe não vão a tempo de se tornarem suficientemente quadripolares para, no próximo Natal, receberem algo mais que umas 300 mil sms formatadas para listas de contactos inteiras.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

estão a esticar a corda...

Sou dada à boa paz. É um facto. Sou pessoa de bom trato e estou disposta a engolir algumas espécies de sapos só para não ter que abandonar o meu estado zen. Dava um dedinho para não ter que reclamar pelo que quer que fosse, mas mesmo assim, volta e meia, há quem goste de testar a Madre Teresa que há em mim. Desta vez, é o meu ginásio que me levanta a mensalidade a duplicar... outra vez!!!! Sim, é que não chegou a bela da chatice no mês passado. Não! Assim como quem não quer a coisa: «'Bora lá repetir a ver se desta vez a sócia não dá por nada». Mas dá, meus senhores, infelizmente, dá. É que, se em contexto normal, o meu extracto bancário já não é farto, em ano sem subsídio de Natal não é coisa bonita de se ver.
Ah! E não queiram testar o meu afecto pela actividade física com este género de abordagem. Temo que a relação seja demasiado frágil para resistir.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

às volta com isto


... e quem diz com isto, diz com as coisas da vida. Com o simples e com o complicado, com a norma e com a excepção, com a realidade e com os sonhos, com os pensamentos e com os actos, com as possibilidades e com os factos. Enfim, neste momento ainda olho para esta página em branco e pergunto: «Blogue, quem és tu?». Como em tudo na vida, apenas o tempo ditará a resposta. Entretanto vamos apenas sendo. Sem grandes pretensões nem definições. Nem para mim, nem para o pequeno blogue que hoje vê a luz da blogosfera pela primeira vez.